Janio12 e Juarez Lopes
É consenso de que o uso e ocupação do solo urbano deva ser um dos temas indispensáveis de uma política voltada para os interesses coletivos. Todos devemos e queremos ter o direito a um cidade justa.No Brasil de hoje, 80% dos brasileiros vivem nas cidades sendo que desses, 60% moram em municípios com mais de 100 mil habitantes. Nestes locais, 4 em 10 domicílios são assentamentos precários, o que representa dizer que 16 milhões de famílias vivem em assentamentos precários.
A lógica que define a ocupação das cidades é perversa, é uma máquina de exclusão territorial que bloqueia o acesso dos mais pobres às oportunidades econômicas e de desenvolvimento. É muito mais do que a expressão da desigualdade social: ela é agente de reprodução dessa desigualdade.
Numa cidade dividida entre um lado legal, rico e com infraestrutura, e outro ilegal, pobre e precário, estas periferias em situação desfavorável carecem de trabalho, cultura e lazer.
Este modelo também gera, a médio e longo prazo, relação política na base do favor, da troca, do clientelismo “puro”, prejudicando a democracia. No final, teremos uma cidade condenada a um padrão insustentável do ponto de vista ambiental e econômico, gerando e alimentando os bolsões de violência.
Já conhecemos este filme. Vamos repeti-lo?
Por Juarez Lopes (PV)
Engenheiro Civil e Sanitarista
